quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Outubro - Mês Internacional das Bibliotecas escolares




A Biblioteca é o coração de uma escola ou de uma universidade!
 





Livro do Mês - Outubro de 2012


A rocha branca, de Fernando Campos

Editora Objetiva, 2011
246 páginas

 ISBN: 978-989-672-111-4


 

A Rocha Branca é um livro encantador.
Conta-se a história de Safo de Mitilene, uma mítica poetisa que terá vivido na alvorada da civilização grega, que assistirá ao nascimento da civilização europeia. Safo viveu no século VII a.C. em Mitilene, cidade da famosa ilha de Lesbos, em frente à Ásia Menor.
Ao contrário do que se passa nos nossos dias, alguns séculos antes de Cristo, a Grécia era o coração cultural da Europa. Nas ilhas gregas vivia-se um próspero florescimento comercial, baseado nas mercadorias que celebrizaram toda aquela zona do mediterrâneo oriental: os tecidos, perfumes, metais preciosos, vasos de cerâmica, etc.
Foi nesse contexto de abundância que viveu Safo. Escreveu e viveu intensamente.
Na Idade Média, muitos dos poemas de Safo acabaram por desaparecer, destruídos por serem considerados obscenos. Esta obra preciosa de Fernando Campos vem, pois, devolver-nos a imagem da verdadeira Safo. Uma imagem heróica e belíssima.
Personagem encantada, Safo tornou-se um mito. E a essência de um mito encontra-se a meio de uma encruzilhada entre o verdadeiro e o falso, o sagrado e o profano; mais do que uma poesia, a história fez de Safo uma espécie de heroína da mitologia grega.
A sua história encanta-nos, no entanto, pela humanidade; pela forma como viveu uma intensa e pura história de amor. A escrita de Fernando Campos encanta-nos pela beleza com que nos expõe todo o bucolismo da antiguidade clássica. Safo viveu entre a natureza, em comunhão com ela e o seu amor não foi mais de que uma expressão da natureza. Daí também a naturalidade com que se aborda o erotismo, o amor físico.
Ao longo do livro encontramos também interessantes pontos de contacto com a história antiga da democracia ateniense, mais exatamente as reformas de Sólon, assim como belas passagens da vida de Esopo que terá sido, provavelmente, o primeiro escritor de ficção que a humanidade conheceu.
Em conclusão: estamos perante um livro fantástico na melhor aceção do termo. É uma leitura que não desperta qualquer espécie de mistério ou suspense mas que nos deleita numa leitura suave. E é dessa suavidade que advém toda a sua beleza.
Manuel Cardoso in http://aminhaestante.blogspot.pt/2012/01/rocha-branca-fernando-campos.html

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Ensaio: O Estado deve comemorar feriados religiosos?


O estado deve comemorar feriados religiosos?

 Por Patrícia Baronet, 10.º C


Ao longo dos anos Portugal tem-se apresentado efectivamente como um estado católico, onde a fé católica tem-se alastrado entre a população e passado de geração em geração, encontrando, obviamente, pessoas mais resistentes que preferem seguir uma religião diferente de acordo com as suas respectivas crenças. Devido a uma larga maioria seguir o catolicismo, o estado português decidiu comemorar os respectivos dias simbólicos desta mesma religião, mesmo sabendo que “maioria” não significa “um todo”.
Na minha opinião, o estado deveria apresentar-se neutro a qualquer religião, não impondo feriados a quem não segue, neste caso, a fé católica. Ou seja, como obviamente nem toda a população é católica não deveriam ser obrigados a comemorar um feriado que efectivamente não lhes diz nada. Quando política e religião se misturam e o estado opta por ter como referência as crenças de uma certa religião, isso põe em causa o livre-arbítrio da população que não segue “aquela” religião. Nós, seres humanos, somos dotados de racionalidade e livre-arbítrio e a interferência do estado com esse livre-arbítrio não é admissível, ou seja, um indivíduo que não segue a fé católica não deveria ser obrigado a comemorar um feriado, que como já referi anteriormente, não lhe diz nada.
A situação económica em que Portugal se encontra actualmente também não é das melhores para a imposição de feriados religiosos. Países como a Alemanha e França apresentam apenas cinco ou seis feriados anuais, enquanto que Portugal tem perto de dez feriados. Estes países encontram-se com uma economia muito mais desenvolvida que a nossa, pois os feriados têm um prejuízo de cerca de um bilião de euros anuais na economia portuguesa. Os feriados religiosos em Portugal são cerca de quatro ou cinco, se não os comemorássemos reduzíamos o prejuízo para praticamente metade o que ajudaria muito a nossa economia.
Um dos argumentos que o estado usa a favor da comemoração dos feriados católicos é a nossa história de povo proselitista, de grandes divulgadores da fé cristã. O estado deveria analisar cuidadosamente se vale mesmo a pena sermos conhecidos como um estado católico ou como um estado com ânsia de evoluir procurando sempre soluções para melhorar, pois ao fim ao cabo, como foi refutado nos primeiros argumentos, as comemorações religiosas prejudicam-nos socialmente e economicamente.
Concluo este ensaio com a seguinte questão: se há efectivamente pessoas de religiões diferentes e se os feriados religiosos acabam por nos retardar o crescimento económico, por que razão plausível havemos de comemorá-los?

domingo, 17 de junho de 2012

Ensaio: religião e sociedade

Por Inês Leite, 10.º A
Fonte da imagem: http://www.benitopepe.com.br/2010/11/21/religiao-versus-ciencia/


“No princípio, Deus criou os Céus e a Terra “. Para muitos esta frase continua ser a base das suas crenças. Eu, sou uma pessoa que acredita naquilo que vê e na justificação de factos com base no conhecimento humano e científico. Ao longo dos tempos, a Ciência tem vindo a contradizer muitos das verdades inquestionáveis assumidas pela religião.
Vejamos então um exemplo desta situação: Durante muitos anos Copérnico, Galileu ou Kepler mantiveram as suas teorias acerca do sistema solar e o movimento dos planetas, na “gaveta”. Temiam chocar a mentalidade religiosa da sociedade da altura: as teorias contradiziam as verdades reveladas pela Bíblia e ameaçavam a fé. À partida deve ser dada mais importância, existindo uma contradição entre a ciência e a religião, à ciência, mas continuemos a analisar o problema.
Por que razão a Igreja sempre condenou a Ciência? A Ciência sempre teve um elevado potencial para colocar em xeque os mitos e os dogmas da igreja.
Por outro lado, a religião deverá ser um meio de pacificação social, reguladora da conduta humana, uniformizando os valores éticos e morais de uma sociedade. Ao invés, as guerras santas, os tribunais de inquisição, são exemplos de erros cometidos ao longo da história, com a intenção da Igreja provar o seu poder.
A falta de adaptação aos tempos actuais, que a Igreja tem demonstrado, nomeadamente no que diz respeito a temas como a sexualidade, ou ao matrimónio de sacerdotes, tem levado a um afastamento entre a sociedade e a Igreja.
Ao seguir a ciência baseio-me em algo concreto, palpável e suportado por dados, enquanto, se basear as minhas decisões na religião, baseio-me em mitos e em algo abstracto, algo que para se obter uma solução concreta é bastante complicado.
Uma das célebres frases de Karl Marx foi: “ a religião é o opio do povo". Por vezes, a religião é uma idealização das aspirações do povo que não podem ser satisfeitas de imediato. É isso que Marx queria dizer ao chamar a religião de "ópio do povo": ela alivia a dor mas, ao mesmo tempo, torna-nos indolentes, nublando a nossa percepção da realidade e tirando-nos a vontade de mudar.

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