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sexta-feira, 22 de março de 2013
quarta-feira, 6 de março de 2013
Livro do Mês: Fevereiro de 2013

Livro do Mês
março de 2013
março de 2013
O varandim, seguido de Ocaso em Carvangel
Autor: Mário
de Carvalho
Referência:
2012, Porto editora, Lisboa
Páginas: 220
ISBN: 978-972-0-04412-9
O
autor: Mário
de Carvalho é um autor incontornável da língua portuguesa. A sua escrita é
rendilhada, intemporal e exigente. As suas ficções são lúcidas, inteligentes e
interpeladoras. Deliciam e, ao mesmo tempo, incomodam, obrigando-nos a procurar
os problemas com que suavemente nos acariciam.
O seu livro O varandim
seguido de O caso Carvangel inclui duas histórias cuja ação decorre num século passado e numa região
imaginária onde os nomes têm ressonâncias germânicas.
A
obra
Svidânia
é uma cidade acidentada, encavalitada nas montanhas. O ar húmido e bolorento
cheira a suspeita e a conspiração. Ergue-se um estrado que espera a execução de
uma sentença de morte. A opressão entra-nos pela pele enquanto esperamos os
próximos acontecimentos na atmosfera de salas escuras e silenciosas, de ruam
frias e lamacentas.
«Bernardo foi o primeiro a sair,
impondo-se o corpo ágil e tenso aos jesuítas. Dentro em pouco, todos os
passageiros da primeira classe se juntavam aos soldados e viajantes do
tejadilho, formando um grupo apinhado e compacto atrás do cocheiro e ajudante,
desbarretados e respeitosos. A rapariga desistiu das aparências e apoiou-se,
com determinação, no braço de Gaudner. Todos contemplavam, fascinados, o
espectáculo que se lhes oferecia, sob a velada palidez de um quarto minguante
macio.
»Para diante do claror dos fanais e da
vela discreta que mal alourava os vidros, a poucos passos dos cavalos, que deixavam
pender as cabeças, em submissão, despontava o eriçamento escuro duma massa
circular de animais que pareciam dispor-se concentricamente, até onde os
olhares podiam alcançar.
»— Cães? — atreveu-se Gaudner a
sussurrar.
»— Mabecos! Disse o cocheiro
rapidamente, virando apenas meia cara.
As respirações de milhares de canídeos
bafejavam o silêncio como um indeciso murmúrio de maré, muito distante. Todos
os viajantes estavam transidos de medo e de expectativa.»
sábado, 23 de fevereiro de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Livro do mês - Fevereiro 2013
O livro dos homens sem luz
João Tordo
Edições D. quixote 2010, 10ª ed.
No
vasto mundo da literatura há espaço para muitos estilos. Alguns obrigam-nos a
ser corredores de fundo, atletas de alta competição da língua, e para eles vai
o nosso louvor, porque perpetuam o vocabulário que sacrificamos nos dias
comezinhos da nossa vida quotidiana. Outros, com a sua simplicidade, como muita
da literatura juvenil, também merecem o nosso louvor, porque são eles que nos abrem
as portas do palácio em que lemos por prazer e mergulhamos em excitantes
aventuras.
João
Tordo, por sua vez, pertence a uma outra classe: cativa-nos com um estilo
simples e enxuto, que não nos obriga a reler várias vezes a mesma frase, para
nos levar, antes que nos apercebamos, daquilo que na nossa vida dá que pensar. O
seu estilo recorda-nos Lev Tolstoi, George Orwell, Paul Auster, que procuraram
usar a transparência máxima das palavras para, através delas, nos mostrar tanto
as interrogações como os lampejos de beleza que, quando abrimos os olhos do
pensamento, encontramos na nossa própria vida.
Excerto da obra (páginas
142-143)
Eram três mulheres e dois
homens, e todos usavam roupas leves e coloridas, como se a sala pertencesse a
uma outra estação do ano. Os dois homens eram quase idênticos, de cabelos lisos
que reflectiam a luz como espelhos negros, lábios carnudos que se abriam em
sorrisos inocentes e vozes suaves e efeminadas. Elas sentavam-se do lado oposto
da mesa e tinham peles tingidas e rostos redondos e meigos. Eu e Victor ficámos
na esquina da mesa, um tanto afastados, e escutámos durante algum tempo uma
conversa numa língua estranha que nenhum de nós soube identificar.
«Não te assustes, isto é
mesmo assim», disse Victor baixinho. «A minha amiga Zehra explicou-me que eles
estão a ser iniciados.»
«Iniciados?»
«Olha para eles»,
segredou-me ao ouvido. «São puros. Ainda não foram tocados. Acabaram de chegar
a Londres. É a primeira noite que passam na companhia de mulheres.»
«É um ritual de
acasalamento?»
«Não, do acasalamento há-de
tratar a família. O que se passa a qui não pode sair desta sala. Se os pais
deles soubessem, nunca mais os deixavam entrar em casa. O que estão a fazer
é proibido.»
«Queres dizer que é ilegal?»
O cotovelo de Victor
pressionou-me as costelas.
«Não digas isso. Não é
ilegal, é apenas contra a tradição. Vê a coisa desta maneira: existem deuses em
jogo, e também existem demónios. Puxam para lados diferentes. Para o resto da
vida, esta gente vai acreditar na santidade do matrimónio e na pureza espiritual.
Esta noite é uma passagem para um lugar que eles desconhecem e ao qual não
poderão regressar.»
«O que é aquela coisa no
meio?»
«Aquilo», disse Victor,
arregalando os olhos, «é a porta para o além» (…)
Nota biográfica (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Tordo)
"Nasceu em Lisboa a 28 de Agosto de 1975,[1]
filho do cantor Fernando Tordo. Formou-se em Filosofia e estudou Jornalismo e Escrita Criativa em Londres e Nova Iorque.
Trabalha como guionista, depois de ter passado pelo jornalismo, tendo
publicado, entre outros, n' O Independente, Sábado, Jornal de
Letras, ELLE e a revista Egoísta. Escreveu, em parceria, o
guião para a longa metragem Amália, a Voz do Povo (2008). Foi vencedor do
prémio Jovens Criadores em 2001. Publicou cinco romances, O Livro dos
Homens Sem Luz (2004), Hotel Memória (2007), As Três Vidas (2009), O Bom
Inverno (2010)
e Anatomia dos Mártires (2011). Venceu o Prémio José Saramago com o romance As Três Vidas. Foi finalista dos prémios Portugal Telecom, Fernando
Namora, Melhor Livro de Ficção Narrativa da SPA e do Prémio Literário Europeu." Foi recentemente publicado o seu novo romance, O Ano
Sabático.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Dez bibliotecas dignas de nota
As
bibliotecas são locais importantes para a educação nos primeiros anos
das crianças, oferecendo aos jovens estudantes um local onde estudar,
explorar e aprender. Quase todas as bibliotecas são capazes de
impressionar as jovens mentes, mas há algumas que vão mais longe e mais
alto do que é habitual. Estas bibliotecas são dignas de nota, seja pela
sua programação ou pelas suas incursões nos novos media.
1. Far Brook School:
Shakespeare ressuscitou na biblioteca de Far Brook. Logo desde o jardim
de infância, as crianças estudam as obras de Shakespeare para levarem à
cena uma nova produção em cada mês de Junho.
![]() |
| Clara Barton |
2. Clara Barton School:
Como parte do projecto Robin Hood de Nova Iorque, algumas firmas de
arquitectos remodelaram gratuitamente a biblioteca da Clara Barton ,
transformando-a numa “Biblioteca” capaz de entusiasmar os miúdos.
3. Tuckerman Elementary School:
À primeira vista, a Tuckerman não parece ser uma biblioteca
incrivelmente impressionante. No entanto, impressiona por ter um
catálogo publicado online, através do qual os estudantes podem procurar
livros inclusive a partir de casa.
4. Barack and Michelle Obama Service Learning Elementary: Esta biblioteca foi requalificada como biblioteca/centro de recursos e é uma das maiores, com ca. 40000 livros na sua colecção.
5. East Oakland Library: A Acorn Woodland Elementary School
não tinha uma biblioteca e os alunos tinham de ir buscar os seus livros
a estantes móveis colocadas nos corredores. Mas agora, uma biblioteca
da comunidade abriu as suas portas aos alunos, tendo chegado a abrir a
uma porta específica para os alunos. A biblioteca oferece 30000 livros,
DVDs e CDs, bem como serviços de informática e cópias digitais de
livros.
6. Broadmoor Elementary: A escola primária de Broadmoor beneficiou de melhoramentos levados a cabo pelos Target Volunteers e pela fundação The Heart of America. A biblioteca recebeu novos livros, meios tecnológicos, murais feitos à medida, cantos de leitura e outras coisas mais.
7. Lincoln Avenue Elementary: A biblioteca da escola da Lincoln Avenue
é um local onde se cultiva a imaginação. Dotada de uma nova biblioteca e
de um centro de media, esta escola possui muitos e novos recursos
educativos.
8. Richardsville Elementary School:
A escola de Richardsville pertence a uma nova tendência de design de
edifícios verdes. Toda a escola, e a livraria que nela se alberga, são
de “rede zero”, gerando mais energia do que aquela que consome.
9. Mather Elementary School: A Mather Elementary School foi outra beneficiária dos melhoramentos levados a cabo pelos Target Volunteers.
Não só a biblioteca recebeu novas obras de arte, meios tecnológicos e
livros, como os alunos receberam alguns dos novos livros Home 7 para as suas colecções pessoais.
10. Edison Elementary School: Esta escola abriu os braços à internet, oferecendo recursos de pesquisa on-line e outros meios. Esta biblioteca tem um blogue, prove concursos e faz ainda outras coisas.
O texto original pode ser encontrado em
http://oedb.org/library/beginning-online-learning/10-most-impressive-elemenrary-school-libraries
domingo, 20 de janeiro de 2013
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