quarta-feira, 6 de março de 2013

Livro do Mês: Fevereiro de 2013





Livro do Mês
março de 2013


O varandim, seguido de Ocaso em Carvangel


Autor: Mário de Carvalho
Referência: 2012, Porto editora, Lisboa 
Páginas: 220 
ISBN: 978-972-0-04412-9


 

 
O autor: Mário de Carvalho é um autor incontornável da língua portuguesa. A sua escrita é rendilhada, intemporal e exigente. As suas ficções são lúcidas, inteligentes e interpeladoras. Deliciam e, ao mesmo tempo, incomodam, obrigando-nos a procurar os problemas com que suavemente nos acariciam.

O seu livro O varandim seguido de O caso Carvangel inclui duas histórias cuja ação decorre num século passado e numa região imaginária onde os nomes têm ressonâncias germânicas.



A obra
Svidânia é uma cidade acidentada, encavalitada nas montanhas. O ar húmido e bolorento cheira a suspeita e a conspiração. Ergue-se um estrado que espera a execução de uma sentença de morte. A opressão entra-nos pela pele enquanto esperamos os próximos acontecimentos na atmosfera de salas escuras e silenciosas, de ruam frias e lamacentas.

«Bernardo foi o primeiro a sair, impondo-se o corpo ágil e tenso aos jesuítas. Dentro em pouco, todos os passageiros da primeira classe se juntavam aos soldados e viajantes do tejadilho, formando um grupo apinhado e compacto atrás do cocheiro e ajudante, desbarretados e respeitosos. A rapariga desistiu das aparências e apoiou-se, com determinação, no braço de Gaudner. Todos contemplavam, fascinados, o espectáculo que se lhes oferecia, sob a velada palidez de um quarto minguante macio.
»Para diante do claror dos fanais e da vela discreta que mal alourava os vidros, a poucos passos dos cavalos, que deixavam pender as cabeças, em submissão, despontava o eriçamento escuro duma massa circular de animais que pareciam dispor-se concentricamente, até onde os olhares podiam alcançar.
»— Cães? — atreveu-se Gaudner a sussurrar.
»— Mabecos! Disse o cocheiro rapidamente, virando apenas meia cara.
As respirações de milhares de canídeos bafejavam o silêncio como um indeciso murmúrio de maré, muito distante. Todos os viajantes estavam transidos de medo e de expectativa.»

Top Leitor - Fevereiro


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Livro do mês - Fevereiro 2013


O livro dos homens sem luz

João Tordo

Edições D. quixote 2010, 10ª ed.




No vasto mundo da literatura há espaço para muitos estilos. Alguns obrigam-nos a ser corredores de fundo, atletas de alta competição da língua, e para eles vai o nosso louvor, porque perpetuam o vocabulário que sacrificamos nos dias comezinhos da nossa vida quotidiana. Outros, com a sua simplicidade, como muita da literatura juvenil, também merecem o nosso louvor, porque são eles que nos abrem as portas do palácio em que lemos por prazer e mergulhamos em excitantes aventuras.
João Tordo, por sua vez, pertence a uma outra classe: cativa-nos com um estilo simples e enxuto, que não nos obriga a reler várias vezes a mesma frase, para nos levar, antes que nos apercebamos, daquilo que na nossa vida dá que pensar. O seu estilo recorda-nos Lev Tolstoi, George Orwell, Paul Auster, que procuraram usar a transparência máxima das palavras para, através delas, nos mostrar tanto as interrogações como os lampejos de beleza que, quando abrimos os olhos do pensamento, encontramos na nossa própria vida.

Excerto da obra (páginas 142-143)
Eram três mulheres e dois homens, e todos usavam roupas leves e coloridas, como se a sala pertencesse a uma outra estação do ano. Os dois homens eram quase idênticos, de cabelos lisos que reflectiam a luz como espelhos negros, lábios carnudos que se abriam em sorrisos inocentes e vozes suaves e efeminadas. Elas sentavam-se do lado oposto da mesa e tinham peles tingidas e rostos redondos e meigos. Eu e Victor ficámos na esquina da mesa, um tanto afastados, e escutámos durante algum tempo uma conversa numa língua estranha que nenhum de nós soube identificar.
«Não te assustes, isto é mesmo assim», disse Victor baixinho. «A minha amiga Zehra explicou-me que eles estão a ser iniciados.»
«Iniciados?»
«Olha para eles», segredou-me ao ouvido. «São puros. Ainda não foram tocados. Acabaram de chegar a Londres. É a primeira noite que passam na companhia de mulheres.»
«É um ritual de acasalamento?»
«Não, do acasalamento há-de tratar a família. O que se passa a qui não pode sair desta sala. Se os pais deles soubessem, nunca mais os deixavam entrar em casa. O que estão a fazer é proibido.»
«Queres dizer que é ilegal?»
O cotovelo de Victor pressionou-me as costelas.
«Não digas isso. Não é ilegal, é apenas contra a tradição. Vê a coisa desta maneira: existem deuses em jogo, e também existem demónios. Puxam para lados diferentes. Para o resto da vida, esta gente vai acreditar na santidade do matrimónio e na pureza espiritual. Esta noite é uma passagem para um lugar que eles desconhecem e ao qual não poderão regressar.»
«O que é aquela coisa no meio?»
«Aquilo», disse Victor, arregalando os olhos, «é a porta para o além» (…)




 "Nasceu em Lisboa a 28 de Agosto de 1975,[1] filho do cantor Fernando Tordo. Formou-se em Filosofia e estudou Jornalismo e Escrita Criativa em Londres e Nova Iorque. Trabalha como guionista, depois de ter passado pelo jornalismo, tendo publicado, entre outros, n' O Independente, Sábado, Jornal de Letras, ELLE e a revista Egoísta. Escreveu, em parceria, o guião para a longa metragem Amália, a Voz do Povo (2008). Foi vencedor do prémio Jovens Criadores em 2001. Publicou cinco romances, O Livro dos Homens Sem Luz (2004), Hotel Memória (2007), As Três Vidas (2009), O Bom Inverno (2010) e Anatomia dos Mártires (2011). Venceu o Prémio José Saramago com o romance As Três Vidas. Foi finalista dos prémios Portugal Telecom, Fernando Namora, Melhor Livro de Ficção Narrativa da SPA e do Prémio Literário Europeu." Foi recentemente publicado o seu novo romance, O Ano Sabático.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Dez bibliotecas dignas de nota

As bibliotecas são locais importantes para a educação nos primeiros anos das crianças, oferecendo aos jovens estudantes um local onde estudar, explorar e aprender. Quase todas as bibliotecas são capazes de impressionar as jovens mentes, mas há algumas que vão mais longe e mais alto do que é habitual. Estas bibliotecas são dignas de nota, seja pela sua programação ou pelas suas incursões nos novos media.

1. Far Brook School: Shakespeare ressuscitou na biblioteca de Far Brook. Logo desde o jardim de infância, as crianças estudam as obras de Shakespeare para levarem à cena uma nova produção em cada mês de Junho.

Clara Barton
2. Clara Barton School: Como parte do projecto Robin Hood de Nova Iorque, algumas firmas de arquitectos remodelaram gratuitamente a biblioteca da Clara Barton , transformando-a numa “Biblioteca” capaz de entusiasmar os miúdos.

3. Tuckerman Elementary School: À primeira vista, a Tuckerman não parece ser uma biblioteca incrivelmente impressionante. No entanto, impressiona por ter um catálogo publicado online, através do qual os estudantes podem procurar livros inclusive a partir de casa.

4. Barack and Michelle Obama Service Learning Elementary: Esta biblioteca foi requalificada como biblioteca/centro de recursos e é uma das maiores, com ca. 40000 livros na sua colecção.

5. East Oakland Library: A Acorn Woodland Elementary School não tinha uma biblioteca e os alunos tinham de ir buscar os seus livros a estantes móveis colocadas nos corredores. Mas agora, uma biblioteca da comunidade abriu as suas portas aos alunos, tendo chegado a abrir a uma porta específica para os alunos. A biblioteca oferece 30000 livros, DVDs e CDs, bem como serviços de informática e cópias digitais de livros.

6. Broadmoor Elementary: A escola primária de Broadmoor beneficiou de melhoramentos levados a cabo pelos Target Volunteers e pela fundação The Heart of America. A biblioteca recebeu novos livros, meios tecnológicos, murais feitos à medida, cantos de leitura e outras coisas mais.

7. Lincoln Avenue Elementary: A biblioteca da escola da Lincoln Avenue é um local onde se cultiva a imaginação. Dotada de uma nova biblioteca e de um centro de media, esta escola possui muitos e novos recursos educativos.

8. Richardsville Elementary School: A escola de Richardsville pertence a uma nova tendência de design de edifícios verdes. Toda a escola, e a livraria que nela se alberga, são de “rede zero”, gerando mais energia do que aquela que consome.

9. Mather Elementary School: A Mather Elementary School foi outra beneficiária dos melhoramentos levados a cabo pelos Target Volunteers. Não só a biblioteca recebeu novas obras de arte, meios tecnológicos e livros, como os alunos receberam alguns dos novos livros Home 7 para as suas colecções pessoais.

10. Edison Elementary School: Esta escola abriu os braços à internet, oferecendo recursos de pesquisa on-line e outros meios. Esta biblioteca tem um blogue, prove concursos e faz ainda outras coisas.



O texto original pode ser encontrado em

http://oedb.org/library/beginning-online-learning/10-most-impressive-elemenrary-school-libraries

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